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15 de out de 2011

Passa o tempo

Em um piscar de olhos, passaram-se anos.
Lembro como se fosse ontem, tudo.

Minha infância, acontecimentos, brinquedos, doces, saudade.

Hoje me sento aqui, observo essa casa, esse bairro, essa cidade, lembranças.

Tudo me traz lembranças.

O tempo passou rápido demais, poucos anos foram-se mais rápido do que o esperado, aconteceram coisas demais nesse tempo, coisas que não deviam ter acontecido, coisas boas, saudades de você.


Não sei porque mas hoje senti uma forte vontade de lhe escrever uma carta.
Sei que não é uma data muito importante, é só mais um ano, mais um aniversário.
A última e primeira carta que lhe escrevi foi no dia em que você partiu.
Fique tranquilo, está guardada em um lugar seguro, junto com as outras cartas que recebi durante minha curta vida.


Queria antes de mais nada lhe agradecer, por tudo.

Por me fazer do jeito que eu sou, por me dar o seu nome, por ter sido rigoroso comigo, por ter me ensinado a ser quem eu sou, por ter escrito na minha porta o seu nome, por me abraçar nos dias frios e falar que estava magra demais, por me ajudar a roubar doce da cozinha quando ainda era pequena demais, me ensinar que o doce roubado é mais gostoso, me dar severos corretivos quando estava errada, me ensinar o que é o certo e o errado.

Me desculpe pelas minhas mal criações, pelas inúmeras vezes que disse que você não era meu pai, você era sim meu pai, de coração.

As lágrimas que derramo agora não são de tristeza, não se preocupe, são de emoção, felicidade.

Hoje reflito sobre tudo que passei, sobre você, e tenho certeza que você está me observando.

Muitas pessoas me disseram que escrever isso não seria saudável, sentimental demais para um blog, falar com você não é saudável, se é assim eu quero sucumbir de doença.


Observo árvores passando por mim, pessoas, o banco que você fez ainda está intacto, a grama que eu costumava rolar, a árvore aonde você se escorava estão sendo substituídas por concreto, diferente de minha vida, que quanto mais passa os anos mais fica mais incerta, aventureira.

Como você que a cada estrada, cada caminho que seguia vivia uma nova aventura, a vida é como o seu caminhão, passa três meses em um caminho, muda de caminho, da voltas, se perde, sente saudades, mas no fim sempre se direciona ao mesmo lugar, aonde estou agora.

Hoje completo 14 anos de vida, pouco tempo demais, espero que faça muitos outros 14 daqui em diante, espero que sempre que completar 14 novamente lembre desses primeiros 14, lembre dessa carta, lembre de você, lembre de tudo que já passei, de tudo que passo e do que passarei.

Espero ter histórias para contar.




10 de out de 2011

Novela: 10º capítulo

Ai meu Deus isso havia realmente acontecido.

Gwen e Brad estavam ali, parados no meio da pista de dança, olhando um para o outro com um olhar abobado e ao mesmo tempo envergonhado, agora todos a sua volta já estavam olhando para eles, comentando, apontando e alguns até rindo.

Depois de tanto tempo de paquera e indiretas finalmente Gwen e Brad haviam dado seu primeiro beijo, desajeitado claro, afinal estamos tratando de dois tímidos, mas perfeito para o momento.


Gwen levanta sua cabeça e olha em sua volta, de suas amigas levantavam-se risinhos, Henrique e Drew estavam a ponto de explodir de tão vermelho que estavam seus rostos, e no canto enquanto servia um cachorro quente a uma senhora estava Guilherme que viu a cena mas preferiu ignorar, fingindo que não havia se importado.

Então outra música começa a tocar e eles continuam com seus passos desajeitados tentando ignorar os olhares alheios, a banda do local tocava uma música sertaneja lenta que não era do gosto de nenhum dos dois, mas nenhum deles importava com o que estava tocando desde que estejam um na presença do outro.


Então por um segundo Brad murmura para Gwen:

- Então você não se importa do fato de meu pai estar na cadeia.

E ela responde:

- Não mesmo
- Você é uma garota realmente diferente Gwennever.

Ah se ele soubesse por onde tenho andado e o que venho descoberto por essa semana - pensou Gwen.

Depois de dançarem mais músicas a festa já chegava ao fim, Gwen resolveu que já era hora de ir para a casa e Brad a acompanhou.

No caminho contavam casos, conversavam sobre diversos assuntos, desde suas preferências musicais até o que haviam feito nas últimas férias, descobriram que havia mais em comum entre os dois do que imaginavam.

No fim do percurso sabiam que iriam se ver novamente amanhã no ensaio de sua banda de garagem, mas mesmo assim Brad beijou Gwen novamente como se fosse última vez que se veriam.


Aquela noite não foi fácil dormir para nenhum dos dois, ambos além de pensar um no outro tinham problemas demais para encarar uma boa noite de sono.


8 horas da manhã de um domingo, Gwen já está em pé escolhendo a roupa que iria ao ensaio, nunca tivera muita frescura com isso mas afinal essa era a primeira vez que veria Brad novamente depois de o "incidente".

Passou na casa de Lili para irem ao ensaio juntas, ela tocava bateria na banda e pra variar estava atrasada para descer, só podia estar escolhendo a roupa, como sempre, nunca havia visto alguém tão indecisa como essa garota, escolhia a roupa que iria usar como se escolhe-se um candidato a presidente da república.

Finalmente Lili desce e as duas caminham até a casa de Vitória, a tecladista da banda, era na garagem dela que eles ensaiavam.

Caminham mais uma quadra e encontram Brad, sem jeito eles não sabem como se cumprimentar, um simples oi amigável, selinho, beijo no rosto, ah bela confusão!


Caminhavam mais uma quadra e Gwen começava a ficar inquieta com um homem que estava andando na mesma direção que eles a já um bom tempo.


Mais alguns metros e ela começou a perceber que o homem os encarava de uma maneira estranha, sim agora ela já tinha certeza, ele estava os seguindo.

Então ela cochicha para Lili e Brad:

- Gente olhem para trás discretamente, eu acho que esse homem está nos seguindo.

Depois de algum tempo de analise os dois chegam a mesma conclusão que ela, e Brad diz:

- Vamos apressar o passo faltam poucos metros para a casa da Vitória.

Então eles andam mais rápido, mas o homem que parecia não se importar para o fato deles já terem percebido que estavam sendo seguidos apressa o passo também e assim que eles chegam a casa de Vitória e tocam a campainha, o homem os alcança, todos os três a essa hora já estavam morrendo de medo, Os dois minutos que Vitória levou para abrir a porta nunca pareceram tão demorados.

Para a surpresa dos garotos ao se aproximar o homem entrega um bilhete a Gwen e com uma voz grossa e rouca diz:

- É melhor comparecer, meu patrão fica muito nervoso quando alguém não comparece aos seus encontros.


Gwen chocada tenta disfarçar dizendo:

- Pronto gente, vamos entrar a porta já se abriu.

Sem entender Brad diz:

- Não vai abrir o bilhete, parece ser algo importante.

Lili que já imaginava do que se tratava o bilhete, disfarça dizendo:

- Não temos tempo para romancezinho adolescente, vamos, vamos, o ensaio!

Eles riram e adentraram a garagem de Vitória, lugar escuro, úmido, ferramentas velhas, poster de bandas antigas e admiradas nas paredes de concreto, poeira por toda parte, ou seja, o lugar perfeito.


E o tempo passa, momentos bons sempre passam rápido, logo já é depois do almoço, hora de voltar para a casa, o gosto maravilhoso do almoço que a avó de Vitória lhes havia oferecido ainda ocupava suas mentes.

Brad se despede de Gwen com um beijo, a essa hora ela já estava se acostumando com seus beijos, tudo o que é bom é fácil de se acostumar. A essa hora todos do bairro já sabiam do novo romance que pairava pelo ar, notícias ali pareciam voar.


As ruas daquele pacato bairro se tornavam cenário de mais um romance, quantos já devem ter passado por lá.

Se não fosse por tantos problemas Gwen estaria nas nuvens. Bem ela estava quase lá.

Em um baque Gwen é trazida de volta para a atmosfera por uma dor, não era uma dor comum, nem se quer era uma dor, era um ardido, um forte ardido em sua cicatriz.

Talvez fosse um sinal, de algo que ela ainda não tinha descoberto.

O que ela sabe é que aquela vez foi somente a primeira de muitas outras vezes em que sua cicatriz ardia, parecia tentar se comunicar com ela.
Isso era bizarro demais para se preocupar - pensava Gwen.

Então ela se lembra, se lembra do papel, o bilhete amassado que ainda estava no bolso de sua calça jeans.


Gwennever, me encontre no galpão que há ao lado do lote vago atráz da rua flor de fogo as 16:00, Não se atrase!!!
Max


E agora, já eram 15:45 e ela iria se atrasar, ainda nem tinha falado com Guilherme, alguém precisava saber que ela estava indo lá, caso algo acontecesse.

No mesmo instante ela tranca a casa, corre até a casa de Guilherme, toca a campainha.

1 min, 2 min, 3 min, 4 min! Cada minuto parecia uma eternidade agora. Parecia que naquele dia as pessoas estavam demorando mais que o normal para atender a campainha. Mas quem sabe ele não estava em casa, tivesse saído para as compras com a mãe, ou para a oficina com o pai, agora ela já entrava em desespero, quem mais poderia avisar se não ele.

Foi nesse momento que Guilherme abriu a porta, seus cabelos negros e lisos, e sua pele branca pálida nunca pareceram tão angelicais.


Gwen conta tudo sobre o bilhete que suas palavras misturadas com saliva e ansiedade se confundem ao soar, Guilherme não entende, ela tem que repetir, mais tempo é perdido, agora já era 15:54.


Ao terminar de explicar, Guilherme só tem um argumento:

- Eu vou com você.

- Mas pode ser perigoso, ele provavelmente quer que eu vá sozinha. - Argumentou Gwen.

- Não importa, eu vou com você - rebateu Guilherme decidido.

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Por hoje ficamos por aqui queridos leitores, aproveitem nossa amada novela, mas não deixem de conferir também os outros textos do blog.
Até a próxima,

Mila

MEU mundo (só meu)

Deixe-me cair, entregar-me a minha loucura particular, meu mundo, meus pensamentos insanos, caem, quicam, batem contra a parede.

Na parede há sangue, não sei sua origem, queriam que houvesse colchões, queriam que minha blusa preta estampando a foto de uma de minhas bandas favoritas fosse substituída por uma camisa de força.

Olá, meu nome é ninguém, sou aquela garota que senta no fundo da sala, só fala quando se dirigirem a ela, aquela, de cabelos vermelhos mal tratados jogados sobre o rosto.


Você diz que sou calada demais, só estou em outro mundo.
Sinto muito que você não consiga entrar nesse mundo, ele eu habito sozinha, e talvez seja assim por um bom tempo.
Nesse mundo alguns já entraram, saíram, visita passageira, viram o que tinha lá dentro e não gostaram.
Mundo de imaginação, mentiras possíveis, lá eu me refugio, talvez lá seria um mundo mais interessante, talvez esse seja interessante demais para ser explorado. Talvez eu não mereça essa aventura.


Deixe-me transbordar, quero me misturar a minha bagunça pessoal, não ser encontrada por dias, pensar, somente pensar, viajar em imaginação, filosofar ao ver o vazio e significativo branco do teto e lembrar de momentos felizes.
Não me importo se nesses momentos monstros vierem me assombrar, com lembranças passadas ruins, erros incorrigíveis.

Não quero acreditar no incorrigível, quero correr sem rumo, mergulhar em mar de melancolia, nadar de braçadas pelas suas mentiras.

Quem disse que sou louca, louco eles que são.
Qual afinal é a razão de seguir a racionalidade, não quero ser nunca racional demais, afinal nunca gostei de exatas.

Faço o caminho mais longo de volta para a casa, converso com os mortos, ouço música alta, sei que sua presença me faz falta, sei que isso me faz mal, quem liga, eu não. Minha obssessão, me sustentará até o fim, cercada por outras pequenas obssessões.

O mundo deu voltas demais, é culpa da gravidade!

Se não fosse por ela poderíamos flutuar com mais facilidade, sem precisar do esforço de usar a imaginação, nos dias de hoje tudo é difícil.

Pensamentos diferentes, refugio, loucura, chame como quiser.

Mas quem sabe tudo isso não é só mais uma ilusão, só mais uma reação química, quem sabe meus pensamentos são só efeito dos remédios, quem sabe eles me controlam tanto a ponto de não me deixarem pensar naturalmente, quem sabe ele controla os outros e eu sou a única que não caiu em suas armadilhas, quem sabe esteja sozinha no mundo, e todo o resto é ilusão criada por minha mente.
Quem sabe eu não seja uma mentira, a imaginação de alguém que não tinha nada melhor para fazer.

Quem sabe toda minha imaginação não é imaginação, e aonde vivemos é o outro lugar, o outro lado do espelho, quem sabe meus sonhos não sejam a realidade, e aqui é só um sonho, ou as vezes um pesadelo assombroso.

Quem pode provar que tudo isso é real, ninguém, eu sou ninguém.

Gosto de sentar e olhar quem passa, pessoas, pássaros, cachorros de rua, crianças, adultos, idosos, jovens casais.

Me coloco no lugar de cada um, imagino como seria estar no lugar deles, no corpo deles, na mentalidade deles, em seu mundo particular.
Quem sabe nesse momento não esteja de passagem por o mundo particular de tal pessoa, tenho certeza que ela está de passagem pelo o meu.

Não deixará pegadas, nem eu no dela, afinal tento ao máximo ser uma visita bem educada.

O que importa é que naquele momento tal ser, tão insignificante perto da grandeza de tudo, esse mundo que não passa de um lado do espelho, o outro lado do espelho, o mundo particular de cada um, o mundo em comunhão dessas pessoas com quem elas amam, outras galáxias ainda não exploradas por minha pequena mente. Tal pequeno ser passa a ser o centro de tudo isso.

O que ela está fazendo aqui, qual é o seu objetivo com tudo isso, por que o destino me fez encontrar com essa pessoa logo agora, será que tudo não passa de peças de um grande quebra cabeça, não sei, só quero imaginar, não quero provar do gosto de saber que estou certa, não preciso de provar nada para ninguém, pois assim que se passa por meu mundo, só meu de mais ninguém, se torna real.


 
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